domingo, 29 de junho de 2014

A MAIS EUROPÉIA DAS CIDADES



Frio, segurança e Ronaldinho; A mais europeia das cidades: como a imprensa alemã vê Porto Alegre. Capital ganhou destaque em veículos da Alemanha para explicar a sede do confronto com a Argélia

por Matheus Beck, ZERO HORA Atualizada em 29/06/2014



Franceses tornaram a Borges de Medeiros sua Champs-ÉlyséesFoto: Taís Seibt / Agencia RBS


A mais europeia das cidades brasileiras. É assim, em linhas gerais, que a imprensa alemã se refere a Porto Alegre para explicar como é o palco de Alemanha e Argélia, nesta segunda-feira, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Para bem e para o mal.

S


O Der Spiegel, uma das mais tradicionais revistas, localizada em Hamburgo, destaca o "frio" em que acontecerá o duelo. Outro que apela para as questões geográficas para diferenciar a Capital das outras 11 sedes é o portal online do jornal Rheinische Post, de Düsseldorf. Em um artigo postado neste domingo, a cidade é lembrada por não possuir vastas praias como os cartões-postais do Brasil costumam representar.

— Em Porto Alegre, o Carnaval não é, talvez, tão colorido quanto em Salvador ou no Rio de Janeiro. E, no entanto, é um dos locais com maior qualidade de vida — não apenas no Brasil, mas em toda a América do Sul. Por quê? — questiona.


Quem ajuda a responder na própria reportagem é o ex-goleiro Lutz Pfannenstiel, que atuou no Atlético de Ibirama, de Santa Catarina:

— Porto Alegre é de longe a cidade mais segura do Brasil — afirmou ao RP Online.

Os elogios não param por aí. O sistema de ensino é louvado por ser "muito bem desenvolvido", a culinária, por ter "a melhor carne do Brasil", e a influência europeia na arquitetura também é ressaltada. Até o Gre-Nal ganha contornos de "patrimônio" cultural da cidade.





Já o jornal Die Welt, de Berlim, é objetivo. Ele caracteriza Porto Alegre como a sede mais "europeia" do Mundial. Em matéria publicada no sábado, é destacado o tempo "frio e chuvoso" da Capital. Mas o artigo não aborda apenas as questões climáticas. A ausência de infraestrutura em relação às grandes capitais da Europa também é mostrada. A falta de aquecedores nos quartos de hotel, por exemplo, é citada como problema recorrente de um município que não sabe lidar com suas limitações.

— O céu sobre Porto Alegre parece mais cinzento do que, por exemplo, sobre São Paulo. E é também mais úmido. Tudo é mais congestionado. Em dias de jogos, o tráfego é enorme — cita.



O independente Pforzheimer Zeitung, de Pforzheim, cidade próxima a Stuttgart, publicou um vídeo com imagens de Porto Alegre, contando de maneira breve sua história e a caracterizando como uma "cidade de constrastes":

— Há problemas de pobreza, alto custo de vida, criminalidade, obesidade e trânsito intenso. Por outro lado, Porto Alegre recebeu inúmeros prêmios como uma das melhores cidades para se viver, trabalhar e estudar — diz a narração.

No fim, para os fãs de futebol, recorda que o jogo da Copa ocorrerá no Beira-Rio, casa do Inter. E, como se soubesse da rivalidade local, citou o Grêmio sem entrar em polêmicas. Apenas lembrou que é o clube "onde cresceu, entre outros futebolistas mundialmente famosos, Ronaldinho".

sábado, 21 de junho de 2014

OLHAR GRINGO


New York Times destaca diferenças do Rio Grande do Sul para o resto do Brasil. Reportagem do jornal mostrou como o futebol e a cultura do Estado estão distantes da imagem que o país tem no Exterior

ZERO HORA 21/06/2014 | 15h46


Vestimenta para o inverno foi citada na reportagem do jornal norte-americanoFoto: Márcio Beyer/ Agência RBS


O jornal The New York Times publicou reportagem em que destaca as diferenças do futebol e da cultura do Rio Grande do Sul em relação ao resto do Brasil. O material lembra o estilo mais físico do futebol gaúcho, que se distancia do estereótipo do "jogo bonito" utilizado como marca do Brasil no Exterior.

— Os dois principais clubes de Porto Alegre, Grêmio e Internacional, têm a reputação de jogar à maneira uruguai e argentina: duro, e sem limitações — escreve o repórter Andreas Campomar.


O NYT ressalta a diferença do clima e a vestimenta mais pesada para aguentar o inverno mais rigoroso:

— Aqui em Porto Alegre, todos estão vestidos para o inverno. Eles vestem preto, como se estivessem em luto pela ausência do calor do verão. Este não é o Brasil suptropical, do samba, que imaginamos, mas a severa realidade do inverno no Estado mais ao sul do país, o Rio Grande do Sul.

A reportagem encerra lembrando que os argentinos movimentarão a cidade nos próximos dias e, devido à cultura gaúcha que os une aos porto-alegrenses, "encontrarão uma casa longe de casa".

quarta-feira, 26 de março de 2014

PORTO ALEGRE, NOSSO ORGULHO


26 de março de 2014 | N° 17744


ARTIGOS


 por José Fortunati*




São muitos e complexos os desafios de se administrar uma cidade com 1,4 milhão de pessoas, que formam uma sociedade questionadora. Mas, andando pela cidade, visitando as comunidades, ouvindo representantes dos diversos segmentos, avalio como grande trunfo o potencial questionador dos moradores. Nosso desafio como sociedade na busca constante pela evolução é, entretanto, reverter esse forte posicionamento tão característico do nosso povo em uma autoestima renovada, reconhecendo o valor da nossa gente, da nossa cultura, do nosso trabalho, das construções coletivas que melhoram a vida dos cidadãos quando todos os agentes se apresentam de peito aberto para o diálogo, pelo bem comum.

Foram interações dessa natureza que consolidaram o Orçamento Participativo como oportunidade de as comunidades participarem ativamente das decisões sobre os investimentos mais importantes para o dia a dia dos moradores. Foi pela mobilização da sociedade que definimos, em concurso público, o melhor modelo de guarda-corpo para a ciclovia da Ipiranga. Foi a sociedade organizada que manifestou sua opinião sobre o edital de licitação dos ônibus nas reuniões do OP e nos outros canais oferecidos pela prefeitura para ouvir a população, interação que contribuiu para qualificar a licitação e o serviço sob a ótica de quem utiliza o transporte coletivo. São apenas alguns exemplos, mas teríamos muitos outros sobre essa vocação cidadã do porto-alegrense.

Assim, reafirmamos que todos temos motivos para nos orgulhar da Porto Alegre que reúne as qualidades de uma multicidade, onde convivem tradição e vanguarda, conhecimento, inovação e tecnologia, espaço urbano e belezas naturais, história e futuro, diversidade e pluralidade, cultura e esporte, lazer e trabalho, com destaque em qualidade de vida, em participação popular e em paixão pelo futebol. Mas neste aniversário de 242 anos, que hoje celebramos, convido a uma reflexão para além dos projetos, obras de mobilidade, preparação à Copa.

Convido a pensarmos o que como cidadãos estamos fazendo para nos orgulharmos de Porto Alegre como sociedade. Uma sociedade que respeite as diferenças, que aceite o contraditório, que manifeste a sua opinião de forma pacífica, uma sociedade em que motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres convivam com respeito mútuo. Temos que ser a Porto Alegre que queremos. Esse, sim, é o maior legado que pode ser construído coletivamente, não por essa ou aquela administração, mas pelas pessoas que fazem o dia a dia da Capital e que têm o poder e a responsabilidade de praticar a cidadania de forma plena, a partir mesmo das atitudes mais simples. Por uma Porto Alegre que orgulhe ainda mais a todos nós.

*PREFEITO DE PORTO ALEGRE

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

POR ALEGRE VISTA DE CIMA


Filmagem Aérea - Porto Alegre/RS

Rafael S Dornelles·


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SE NÃO ABRIR, OLHE NA FONTE...


http://www.youtube.com/watch?v=zEXKKJMrIUY&feature=share

sábado, 12 de outubro de 2013

ORLA DO TEJO, EXEMPLO PARA PORTO ALEGRE

ZERO HORA 13/08/2012 | 08h28

Com restaurantes, bares e cafés, Lisboa transforma as margens do Rio Tejo. Saiba quais locais visitar quando o tempo é curto


A mudança e reforma no porto da cidade começou em 1990, com as obras para a Expo' 98Foto: Pedro Pires / Guia da Cidade


Carlos Etchichury


Uma revolução urbanística ocorre às margens do Rio Tejo, em Lisboa, uma das capitais mais antigas da Europa.

Em menos de duas décadas, galpões obsoletos deram lugar a restaurantes internacionais, bares da moda e cafés sofisticados. Armazéns de entreposto na área portuária, que recebiam cargas de todos os cantos do planeta, agora abrigam boates e casas de espetáculo.

A transformação põe fim ao divórcio da cidade com o principal rio da Península Ibérica. Com cerca de mil quilômetros de extensão, o Tejo nasce a 1.593 metros de altitude, na Serra de Albarracín, na Espanha, onde é conhecido como Tajo, corta os dois países e banha Lisboa, antes de desaguar no Atlântico. Da sua foz, partiram as naus e as caravelas portuguesas para desbravar o mundo. Retornavam trazendo ouro e especiarias, que tornaram Portugal uma das principais potências do globo no século 15.

Mas, no século passado, a decadência da área portuária, o imobilismo político e a ausência de investimentos afastaram os lisboetas do seu rio — um fenômeno familiar aos portoalegrenses, em litígio com o Guaíba desde a cheia de 1944, que inundou o centro da Capital.

— Lisboa era uma cidade de costas para o rio — define Mário Machado, presidente Adjunto de Turismo de Lisboa.

Enclave futurista

A realidade começou a se transformar com as obras para a Expo' 98, nos anos 1990. A partir de um moderno centro de convenções, no limite com a cidade de Loures, surgiu o Parque das Nações. É um enclave moderno em uma Lisboa histórica.

À beira do Tejo, destacam- se duas torres futuristas, erguidas na década passada. São Rafael e São Gabriel, nome de navios cruzadores, os arranha- céus envidraçados, de 110 metros de altura, abrigam apartamentos residenciais.

Uma quadra adiante, um dos maiores oceanários do mundo, com 8 mil animais marinhos, atrai turistas europeus, asiáticos, americanos, africanos e brasileiros — encorajados pelo idioma e potencializados pela força do real, eles representam 10,9% dos 62 milhões de turistas que estiveram em Lisboa em 2011. Bares e um teleférico complementam as atrações na orla.

— A zona nova representa a Lisboa moderna que estamos construindo — destaca Mário Machado.

O renascer

Embora emblemática, a reconciliação da cidade com o rio é mais visível na região portuária. Nas chamadas docas de recreio ( Alcântara, Santo Amaro, Belém e Bom Sucesso, na margem norte do Tejo, abrigam mais de 1,1 mil embarcações), há cerca de 70 estabelecimentos, entre restaurantes, bares, cafés e boates.

— A noite é diversificada, longa e barata. Lá, funciona a discoteca Lux, por exemplo, um dos melhores locais da cidade — avisa João Pires, gerente de um albergue.

Responsável pelo restaurante Doca de Santo, o primeiro estabelecimento aberto em Santo Amaro, em 1995, Gustavo Luciano Inocêncio Alves, 34 anos, sintetiza:

— Aqui, havia armazéns obsoletos, que foram transformados em restaurantes. Houve recuperação e a adaptação para uma estrutura de lazer, que não existia.

No primeiro semestre, a orla revigorada foi roteiro obrigatório dos cerca de 6 milhões de brasileiros que visitaram Lisboa.

Parque das Nações

Após a realização da Expo' 98, toda a área industrial de Lisboa, praticamente desocupada, no limite com a cidade de Loures, transformou- se em um bairro residencial e de lazer. No parque, funciona o shoppingVasco da Gama, o mais moderno da cidade. Um teleférico permite vista panorâmica do Tejo e da região. Ingressos: 3,95 euros ( R$ 9,5, ida) e 6,05 euros ( R$ 14,5, ida e volta). Pessoas com mais de 65 anos ou entre cinco e 14 anos pagam 2 euros ( R$ 4,8, ida) e 3,35 euros ( R$ 8, ida e volta)

Oceanário de Lisboa

Inaugurado para a Expo' 98, cujo tema foi Os Oceanos, o oceanário é um aquário público de referência no mundo. Localizado em dois edifícios conectados por um enorme átrio decorado com um painel de 55 mil azulejos, o oceanário reúne 8 mil peixes — dos tubarões assustadores aos peixinhos coloridos que, de tão delicados, cabem na palma da mão.

Museu dos Coches

Criado em 1906 em uma antiga escola equestre, é o maior museu do gênero no mundo. Há preciosidades como o coche do Rei da Espanha Dom Felipe II, uma espécie de Ferrari da época, utilizado para ir da Espanha para Portugal, durante uma visita ao reinado português. Também fazem parte do acervo três dos 15 coches confeccionados a pedido do Rei Dom JoãoV para presentear o Papa Clemente XI, em 1716.

Mosteiro dos Jerônimos

Patrimônio mundial da Unesco, foi construído no século 15 com dois objetivos: abrigar um mosteiro e ser o panteão da família de Dom Manoel. Em estilo gótico tardio e renascentista, marcado pela influência manuelina, era o templo predileto dos navegadores antes de partirem em direção ao desconhecido.

Na entrada da igreja do mosteiro, que merece uma visita à parte, dois lusitanos ilustres são homenageados: Vasco da Gama e Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas.

Praça do Comércio

Uma das mais conhecidas praças europeias, a Praça do Comércio ( também conhecida como Terreiro do Paço) fica à beira do Rio Tejo. Nos prédios históricos, ministérios e repartições públicas deram lugar a áreas de lazer, restaurantes, cafés e bares. No centro da praça, a Estátua de Dom José I montado em um cavalo com as duas patas apontadas para o céu impressiona pela imponência. No entorno, oArco do Triunfo da RuaAugusta, construído após o terremoto de 1755, exemplifica o bom gosto da arte portuguesa.

Centro Histórico

Reconstruída após o terremoto de 1755, que dizimou Lisboa, a parte baixa é marcada pela arquitetura pombalina, caracterizada pela simplicidade e funcionalidade impostas pelo primeiro ministro da época, Marquês do Pombal — responsável pela construção da cidade. É o primeiro sistema antissísmico e o primeiro método de construção em grande escala pré- fabricado no mundo. Construídos fora da cidade, os edifícios eram transportados em peças para serem montados no local, como gigantescos legos. Em menos de duas décadas depois da catástrofe, a população estava alojada.

Onde comer

Em Lisboa, come- se bem e barato. Na Rua dos Douradores, próximo à Praça da Figueira, é possível comer a preços brasileiros. Restaurantes tradicionais oferecem pratos típicos como carapaus ( peixe parecido com sardinha) de Sesimbra ao carvão por 6,80 euros por pessoa ( 9,80 euros para dois). O valor é idêntico se a opção for por pataniscas de bacalhau com arroz ( bolinhas de bacalhau achatadas servidas com arroz com tomate e couve). Um almoço com sobremesa e cerveja sai por cerca de R$ 40.

Não deixe de provar

Nas dependências de Confeitaria de Belém, no bairro de mesmo nome, é possível encontrar turistas de todas as partes do mundo atraídos por um mesmo objetivo: provar o pastel de belém, o doce mais tradicional de Portugal e um dos mais conhecidos da Europa.

Inventado pelos monges do Mosteiro dos Jerônimos, o pastel se tornou popular após a extinção das ordens religiosas, em 1834, quando um monge foi trabalhar na confeitaria. Desde que começou a ser vendida, em 1837, a iguaria se tornou popular em Lisboa. A receita é um segredo mantido a sete chaves. Reza a lenda que apenas três funcionários dominam o processo de produção na pastelaria. A receita só é passada adiante quando um deles morre, para que se perpetue a forma de fazer o doce. Essas pessoas, acredite, têm contratos de confidencialidade e são proibidas de viajar juntas.

A confeitaria abre todos os dias, das 8h à meianoite. São vendidos 20 mil pastéis por dia, ao custo de 0,95 euros ( R$ 2,3).

COMENTÁRIO: 

ZERO HORA 12 de outubro de 2013 | N° 17581 - INFORME ECONÔMICO | MARIA ISABEL HAMMES - Do Leitor. O leitor Larry Beltrame escreveu para comentar a notícia de ontem sobre a novela da revitalização do Cais Mauá

“Acabo de retornar da Europa e, pela primeira vez, visitei Lisboa, uma cidade encantadora. Quanta diferença para a nossa Porto Alegre. Lá são quase 1 milhão de habitantes, quatro linhas de metrô, prédios antigos, iluminados e limpos. A faixa especial para ônibus simples, a pista da direita, ao lado da calçada é exclusiva para coletivos. Detalhe: por estar ao lado da calçada de pedestres, táxis podem circular por ela, afinal é um serviço público. A orla do rio Tejo é uma maravilha, com pista para caminhantes e ciclistas. Bares, restaurantes, espaço para exposições, prédios restaurados e bem conservados, jardins e gramado, crianças brincando, correndo e em segurança. Aqui, esse ranço, atraso e a orla do Guaíba abandonada. Precisamos aprender e muito.

domingo, 8 de abril de 2012

PORTO ALEGRE É A NOSSA CIDADE


BEATRIZ FAGUNDES, O SUL
Porto Alegre, Domingo, 08 de Abril de 2012.


Seria fácil elencar no mínimo dez grandes temas da cidade que estão merecendo mudanças radicais e criativas.

Domingo de Páscoa vem recheado e com cobertura de esperança. É no renascimento do Mestre que nos inspiramos para reforçar a Fé em muitas das nossas certezas, dentre elas lamentavelmente a democracia. Em meio à devastação provocada por centenas de atos de corrupção, falcatruas, traições, nepotismo, formação de quadrilha, incompetência, leniência e tantas outras "qualidades" expostas como verdadeiras fraturas, o modelo sonhado e desejado por muitas gerações vem se fragilizando, desintegrando como uma imagem holográfica.

O ano é eleitoral. Os municípios são a bola da vez. Agora, de acordo com a propaganda oficial, deixamos a função de "patrões" e assumimos um papel power, agora somos "guerreiros". A publicidade denomina nosso voto como arma. Desconheço se pagaram direito autoral para o ex-governador Alceu Collares, que não perde nenhuma chance para declamar o seu famoso poema, cujo refrão "teu voto é tua única arma. Pega tua arma na mão!", já foi ouvido por alguns milhares de gaúchos.

Pois, é. Porto Alegre é a nossa cidade. É a capital do Rio Grande do Sul. Com uma população estimada em 1.410.000 habitantes, pelo Censo de 2010, do IBGE, conta com uma frota de 688.845 veículos, segundo o Departamento Estadual de Trânsito. Ou seja, há um carro para cada 2,04 moradores. Conforme dados do Detran-RS, uma média de 93 carros novos foram emplacados por dia na Capital, em 2010. Como está o trânsito, perguntaria o visitante desatento. O que poderíamos responder? E o transporte coletivo? Pelo que se ouve de reclamações continua no mesmo ritmo de dez anos atrás, e que é incompatível com o aumento da população neste período.

Seria fácil elencar no mínimo dez grandes temas da cidade que estão merecendo mudanças radicais e criativas. Algumas pesquisas já começam a "enfeitar" as capas dos jornais na velha prática do modelo político que todos dizem que deve ser modificado. Se nem os partidos se interessam em apresentar candidatos no primeiro turno preferindo o conforto do acordo com um, dois, três partidos maiores, que podemos dizer do eleitor! Se puder já resolve o entrevero no primeiro turno. Vai daí que apesar de ser um pleito com dois turnos. Antes mesmo da largada já há uma polarização.

Que tal. Entre Fortunati, que não está se reelegendo, já que quem se elegeu há quatro anos foi José Fogaça, e Manuela, a eterna candidata "beleza" jovem cativante. Quem você, "guerreiro" porto-alegrense, irá escolher? Porto Alegre, precisa de tão pouco! Precisa apenas de cuidados básicos, água potável, esgotos saneados, sinalização, transporte coletivo, posto de saúde, escolas com segurança, iluminação e todos os outros detalhes que fazem de qualquer casa ou cidade um lugar agradável para se viver.

Ontem, depois de muuuiitos anos, levei uma criança com menos de três anos no Parquinho da Redenção. Aqueles velhos Austin de 1960 lá estão. Os brinquedos são tão antigos! Emocionantes. Penso que os candidatos deviam andar por aí, como andarilhos, percorrendo nossa Capital como se fosse pela primeira vez, abandonando a arrogância dos partidos que tudo sabem, tudo veem e tudo querem. Porto Alegre precisa de nós! Um olhar sem compromisso revela lacunas lamentáveis. Se somos guerreiros, vamos lutar pela nossa cidade!

sábado, 24 de março de 2012

PORTO ALEGRE, 240 ANOS

MARCELO ROCHA, PROFESSOR DA UNIPAMPA DE SÃO BORJA - ZERO HORA 24/03/2012

Certa vez, em Porto Alegre, o poeta Mario Quintana levou o jornalista e escritor carioca Marques Rebelo a conhecer o nosso pôr do sol. Quintana jactava-se da beleza do espetáculo e Rebelo examinava e ouvia tudo, sempre quieto. Na volta ao Rio de Janeiro, o escritor carioca escreveu: “Eles não têm nada para mostrar e ficam lá falando daquele crepúsculo”. “Que enorme punhalada!”, podemos pensar. Mas, talvez, o escritor carioca tivesse um pouco de razão e o melhor de Porto Alegre seja, até hoje, nosso patrimônio imaterial, isto é, nossas formas de expressão, nossa natureza, cultura e costumes. E, para quem não tenha uma ligação afetiva com a cidade, é quase impossível compreender esta relação.

Como explicar, por exemplo, a satisfação de flanar pela Redenção no domingo de manhã, percorrendo a José Bonifácio, com o chimarrão, e encontrando amigos pelo caminho? De que modo expressar a beleza de jacarandás e ipês que emolduram a paisagem da cidade com seu colorido? Quem resiste a uma caminhada na Lima e Silva, entrando e saindo de cafés, bares, livrarias e dobrando na República? Destas pequenas felicidades é feita Porto Alegre, cidade do amor indizível. Assim como sugere Quintana, o mapa da cidade é como se fosse a anatomia de nosso próprio corpo.

No mapa que podemos examinar, há milhares de pontos de referência. O jornalista Nilo Ruschel descreveu a Rua da Praia, dos anos 40, em memórias de uma cultura afetiva composta por nomes que trabalhavam no Centro, como a Maria Chorona e o João das Balas. Moacyr Scliar, nosso inesquecível imortal, rememorou o Guaíba, como o rio de sua vida e lembrou que ali andava de barco e pescava. Luis Fernando Verissimo, o mestre da crônica, lembra-nos dos mal-entendidos que cercam a cidade. A começar pelo orgulho de um rio – este mesmo Guaíba – que não é rio. Além disso, há uma rua da praia que já não começa e, tampouco, termina em praia. Enfim, uma cidade nada previsível em seus diversos retratos.

Porto Alegre pode ser, também, um porto nada seguro, mas prolífero e militante. Foi palco de resistência na Campanha da Legalidade, com Leonel Brizola, e abrigou na esquina maldita (Osvaldo Aranha com Sarmento Leite) a mais fina estirpe de intelectuais que lutavam por um país democrático, nos anos de chumbo. E, por falar em transgressão, Nei Lisboa cantou a fauna ensandecida do Ocidente cujo comportamento liberal e utópico desafiava os padrões mais conservadores, no final dos anos 70. O próprio Nei é, ao mesmo tempo, um patrimônio e uma metonímia desta cidade de apaixonadas discussões.

Por fim, convido o amigo leitor ou leitora para largar o jornal e dar uma espiadinha pela janela para entender, sob a luz de outono, o encanto desta cidade que escapa de quaisquer definições. Muitos outros retratos da cidade poderiam ter sido referidos. Mas nas ruas que guardam parte de nossa memória afetiva e no mês de seu aniversário, só nos resta, após o “Parabéns”, desejar baixinho, tal como pedia em versos o poeta com quem começamos este singelo texto: “Oh céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o Céu?”.